"Hay ciertos libros que, publicados una sola vez, se quedan entre pocas manos, y éstas suelen ser de los que compran por curiosidad lo que se publica de nuevo; pero de ciertos tratados se debían repetir continuamente las ediciones, hasta repartirlas con autoridad del Gobierno por toda la nación. Las tinieblas son muchas y el sueño muy profundo: es menester que las luces se renueven y difundan por todas partes , es preciso repetir los gritos una y muchas veces, quando á las primeras llamadas no despierta el soñoliento."
(De "Viage de España ó Cartas en que se da noticia de las cosas más apreciables, y dignas de saberse, que hay en ella.", PONZ Y PIQUER, Antonio. 1772)
“Nunca se sentira um estrangeiro em Madrid. Pelo contrário, bastava-lhe pensar que não era senão um homem vindo da provincia remota de uma outra vida, de um sítio qualquer da Península Ibérica, para se reencontrar consigo a sós, em plenitude, na capital de Espanha. Chegava e sentia-se logo estranhamente completo. Ali estava ele, pois, entre a sua “outra” gente de Madrid. Onde nem sequer se falava outra língua, não; tratava-se basicamente de um mesmo e único idioma, com un sotaque mais gutural nas consoantes e menos melifluo e acentuado nas vogais. Nunca nele se cumprira o mito do estrangeiro de Espanha, porque vogava à tona das palavras, envolto pela mesma gramática histórica, sem que o intimidassem os nomes e os dicionários ou até as noções de uma geografia que antes lhe parecia estranha, mas que o unia agora ao fio visível e invisível da realidade espanhola.”
O mar de Madrid João de Melo Publicações Dom Quixote, 2005